«Chegaram os contentores
E há que conferir os valores
Que lá dentro estão
E se serão
Adequados a esta editora
Literária que mora
Em zona urbana.»
«Se não der para esta
Dará para sua mana
Para que continue a festa.»
Os contentores são arrumados
Para serem revelados
Seus enigmáticos conteúdos
De onde saem ruídos
Que deixam confundidos
Os que desconhecem
As coisas que se encontram
Nos interiores que abanam
Talvez procurando saída
Pois certamente querem
Respirar outra vida.
«Este contentor pesa mais
Do que aquele ali.»
«É porque têm demais
Obra publicada
Noutra temporada
Conforme eu já li.»
Os contentores são abertos
E saem ainda despertos
Todos os jornalistas
Encomendados como artistas
Para futura edição
Não importando a imaginação
Se a terão ou não
Desde que produzam algo
Que se possa ler
Como: «Eu fiz algo
Para vos dar a saber.»
Os jornalistas são tantos
Que ocupam todos os cantos
Esperando sua vez
Em grupos de três.
«Vocês poderão não ter
Talento que se possa perceber
Mas isso não interessa
Pois são conhecidos
E toda a gente cai nessa
De comprar livros
Dos jornalistas referidos
Nos meios audiovisuais
Como os certos sinais
Para bem sucedidas edições
Com lucros nas intenções
Nossas, sem confusões
Em quaisquer apreciações.»
«Existem autores com criatividades
De grandes originalidades
Com floridas inspirações
Nas suas imaginações.»
«É verdade
Mas são desconhecidos.
Dá flores de criatividade
A estes bem-vindos
E vais ver como sairá
Prosa ou poesia
Que até espantará
Quem não se adia
Como super-letrado
Já antes identificado
Em qualquer lado
Por onde tenha passado.»
(de "Contentores")
Poesia de Luís Amorim
Contos Poéticos, Narrativas Poéticas, Canções, Prosa Poética
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Mulheres III
Mulher observadora
Com ar de apreciadora
Daquilo que não possui
Mas que já anui
Em ter no seu desejo
Com imaginário beijo
Para selar tal posse
Antes que alguém a coce
Acordando-a sem licença
Do sonho com pertença
Que é a sua essência
De mulher em incidência
Cobiçando o que não tem
Mas que já é seu bem
Bastando-lhe olhar de fora
Para compensar a interior hora
Que sempre se acende
Pelo tempo que lhe estende
Com nada para seu desfrute
Nem prazer que a ausculte
Nas agradáveis pulsações
Cheias de belas emoções.
Por isso só lhe resta
Continuar em cobiça
Para que prossiga a festa
Onde ela se eriça
Como mulher dominadora
Frequentemente controladora
E com visão tentadora
Que não a desmotiva
A ir-se embora
Rumo a uma posição passiva
Onde não seria miradora
Da sua actual perspectiva
Que tanto se satisfaz
Com os olhos, para ser capaz
De dar firme recusa
Ao que lá dentro usa
Porque sua vontade
Apenas se acusa
Pela atraente raridade
Que do exterior se apresenta
Como a necessária novidade
(de "Mulher cobiçando")
Com ar de apreciadora
Daquilo que não possui
Mas que já anui
Em ter no seu desejo
Com imaginário beijo
Para selar tal posse
Antes que alguém a coce
Acordando-a sem licença
Do sonho com pertença
Que é a sua essência
De mulher em incidência
Cobiçando o que não tem
Mas que já é seu bem
Bastando-lhe olhar de fora
Para compensar a interior hora
Que sempre se acende
Pelo tempo que lhe estende
Com nada para seu desfrute
Nem prazer que a ausculte
Nas agradáveis pulsações
Cheias de belas emoções.
Por isso só lhe resta
Continuar em cobiça
Para que prossiga a festa
Onde ela se eriça
Como mulher dominadora
Frequentemente controladora
E com visão tentadora
Que não a desmotiva
A ir-se embora
Rumo a uma posição passiva
Onde não seria miradora
Da sua actual perspectiva
Que tanto se satisfaz
Com os olhos, para ser capaz
De dar firme recusa
Ao que lá dentro usa
Porque sua vontade
Apenas se acusa
Pela atraente raridade
Que do exterior se apresenta
Como a necessária novidade
(de "Mulher cobiçando")
Fantasias II
Abrira o concurso
Para poeta do reino
E um dos candidatos
Veio de longo percurso
De um outro reino
Atravessando gerações
E presenciando factos
Que conhecia de lições
Talvez escolares
Quem sabe de olhares
Pelos próprios meios
Ou interesses cheios
De curiosidades
Por longínquas entidades
E acontecimentos de importância
Que lhe deram a ânsia
De lá ir ter.
Mas não, seu ser
Queria mesmo ser
Poeta do reino
E depois de intenso treino
Sentiu-se à altura
Do enorme desafio
Que soube em memória futura
No seu presente
Com a enciclopédia à sua frente
Onde conferiu com rigor
Que tal concurso existira
No passado que sentira
Ser para o seu valor
De poeta nomeado
Pelo reino adorado
Na altura temporal
Que o recebeu com bom sinal
Mal aterrou em segurança
Com toda a confiança
De ser bem-sucedido.
De imediato, procurou o rei
Que ficou surpreendido
Ao ouvir sua história
Que lhe contou de memória
Esperando uma oportunidade
Para mostrar sua criatividade.
O rei concordou
E sem mais pensar acrescentou
O nome do viajante
Como candidato importante
Ao concurso de poeta
(de "O poeta")
Para poeta do reino
E um dos candidatos
Veio de longo percurso
De um outro reino
Atravessando gerações
E presenciando factos
Que conhecia de lições
Talvez escolares
Quem sabe de olhares
Pelos próprios meios
Ou interesses cheios
De curiosidades
Por longínquas entidades
E acontecimentos de importância
Que lhe deram a ânsia
De lá ir ter.
Mas não, seu ser
Queria mesmo ser
Poeta do reino
E depois de intenso treino
Sentiu-se à altura
Do enorme desafio
Que soube em memória futura
No seu presente
Com a enciclopédia à sua frente
Onde conferiu com rigor
Que tal concurso existira
No passado que sentira
Ser para o seu valor
De poeta nomeado
Pelo reino adorado
Na altura temporal
Que o recebeu com bom sinal
Mal aterrou em segurança
Com toda a confiança
De ser bem-sucedido.
De imediato, procurou o rei
Que ficou surpreendido
Ao ouvir sua história
Que lhe contou de memória
Esperando uma oportunidade
Para mostrar sua criatividade.
O rei concordou
E sem mais pensar acrescentou
O nome do viajante
Como candidato importante
Ao concurso de poeta
(de "O poeta")
Canções IV
Surgiu a notícia
Que em definido dia
Ele aqui chegaria
Para dar sua homilia
A todos os seres
Que largariam seus afazeres
Para estarem perto
Do representante certo
Da católica religião
Que a todos dava motivação
Para retribuírem com sua comparência
Em numerosa afluência.
A chegada do Papa
Que a ninguém escapava
Como essencial informação
Que urgia fazer difusão.
A chegada do Papa
Que tanto marcava
As comunidades existentes
Todas tão diferentes
Mas com devoção
Na sua religião.
(de "A chegada do Papa")
Que em definido dia
Ele aqui chegaria
Para dar sua homilia
A todos os seres
Que largariam seus afazeres
Para estarem perto
Do representante certo
Da católica religião
Que a todos dava motivação
Para retribuírem com sua comparência
Em numerosa afluência.
A chegada do Papa
Que a ninguém escapava
Como essencial informação
Que urgia fazer difusão.
A chegada do Papa
Que tanto marcava
As comunidades existentes
Todas tão diferentes
Mas com devoção
Na sua religião.
(de "A chegada do Papa")
Mulheres II
Velha a colocar disco
Por sua conta e risco
Abanando sua cabeça
Em tão empenhada peça
De dar música
À juventude que fica
Pasmada com ela
A avó Manuela
Com suficiente idade
Para ter experiência
Em dar rotatividade
Aos discos para audiência
Cada vez mais numerosa
E sempre vistosa
Consoante a noite avança
E a nova geração se lança
Para a pista controlada
Pela velha resguardada
No seu posto de DJ
A ditar sua lei
E muito vibrando
Com o som que vai tocando
Em comunhão com os demais
Que fazem estranhos sinais
Abanando o capacete
Dizem eles como quem se mete
Em confusões evitáveis
Regadas com doce álcool
E amarga ressaca
Quando pedem mais tintol
Como pretensões condenáveis
E suplicando por maca
Para repousos inadiáveis
Com ela sempre fresca
A velha que muito pesca
Do nocturno ambiente
Ao qual não é indiferente
Mas mantendo fria mente
Apesar de dançar sem fim
Nem pontada no rim
Aguentando a noite toda
Dando som para a vibração
Que é geral e de coração
E que está na moda
(de "Velha DJ")
Por sua conta e risco
Abanando sua cabeça
Em tão empenhada peça
De dar música
À juventude que fica
Pasmada com ela
A avó Manuela
Com suficiente idade
Para ter experiência
Em dar rotatividade
Aos discos para audiência
Cada vez mais numerosa
E sempre vistosa
Consoante a noite avança
E a nova geração se lança
Para a pista controlada
Pela velha resguardada
No seu posto de DJ
A ditar sua lei
E muito vibrando
Com o som que vai tocando
Em comunhão com os demais
Que fazem estranhos sinais
Abanando o capacete
Dizem eles como quem se mete
Em confusões evitáveis
Regadas com doce álcool
E amarga ressaca
Quando pedem mais tintol
Como pretensões condenáveis
E suplicando por maca
Para repousos inadiáveis
Com ela sempre fresca
A velha que muito pesca
Do nocturno ambiente
Ao qual não é indiferente
Mas mantendo fria mente
Apesar de dançar sem fim
Nem pontada no rim
Aguentando a noite toda
Dando som para a vibração
Que é geral e de coração
E que está na moda
(de "Velha DJ")
A Sereia
A gruta era fria
Mas tinha de ser atravessada
Sem que ficasse assustada
Pois ela bem queria
Chegar ao seu destino
E quando viu um sino
Não hesitou em tocá-lo
Fazendo despertá-lo
Um mocho ensonado
Que lhe perguntou
Por que razão o incomodou.
Não fora propositado
Apenas por curiosidade
Respondeu ela envergonhada
Mas muito motivada
Para dar com a entrada
No seu sonho, em busca do canto
Que só uma deusa tão bela
Poderia causar como espanto
Numa plateia só para ela
Conforme descrevia
Ao mocho que a ouvia
Com a possível atenção
Dando-lhe como informação
Que a saída
Ou entrada para nova vida
Seria lá adiante
Para onde apontava
Com o nariz confiante
De dar boa-nova que a alegrava
Sem dúvida a pairar em mocho
De tanto sono, bem roxo.
(de "IV")
Mas tinha de ser atravessada
Sem que ficasse assustada
Pois ela bem queria
Chegar ao seu destino
E quando viu um sino
Não hesitou em tocá-lo
Fazendo despertá-lo
Um mocho ensonado
Que lhe perguntou
Por que razão o incomodou.
Não fora propositado
Apenas por curiosidade
Respondeu ela envergonhada
Mas muito motivada
Para dar com a entrada
No seu sonho, em busca do canto
Que só uma deusa tão bela
Poderia causar como espanto
Numa plateia só para ela
Conforme descrevia
Ao mocho que a ouvia
Com a possível atenção
Dando-lhe como informação
Que a saída
Ou entrada para nova vida
Seria lá adiante
Para onde apontava
Com o nariz confiante
De dar boa-nova que a alegrava
Sem dúvida a pairar em mocho
De tanto sono, bem roxo.
(de "IV")
Canções III
Já lá vai a altura
Em que se sonhava
Com tanta fartura
Que até se escutava
Em canção, agora trintona
Sobre o nosso Portugal
E a CEE como dona
Que nos daria o tal
Nível de vida desejado.
Mas, actualmente, a comunidade
É uma união de verdade
E pouco foi alcançado
Do tudo ambicionado.
Portugal e a dona UE
Que apenas dá ordens em nós
Tirando nossa fé
E estrangulando nossa voz.
E não há como escapar
De tudo o que ela mandar
Como dona que é
A poderosa UE.
(de "Portugal e a dona UE")
Em que se sonhava
Com tanta fartura
Que até se escutava
Em canção, agora trintona
Sobre o nosso Portugal
E a CEE como dona
Que nos daria o tal
Nível de vida desejado.
Mas, actualmente, a comunidade
É uma união de verdade
E pouco foi alcançado
Do tudo ambicionado.
Portugal e a dona UE
Que apenas dá ordens em nós
Tirando nossa fé
E estrangulando nossa voz.
E não há como escapar
De tudo o que ela mandar
Como dona que é
A poderosa UE.
(de "Portugal e a dona UE")
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