segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Sereia

A gruta era fria
Mas tinha de ser atravessada
Sem que ficasse assustada
Pois ela bem queria
Chegar ao seu destino
E quando viu um sino
Não hesitou em tocá-lo
Fazendo despertá-lo
Um mocho ensonado
Que lhe perguntou
Por que razão o incomodou.
Não fora propositado
Apenas por curiosidade
Respondeu ela envergonhada
Mas muito motivada
Para dar com a entrada
No seu sonho, em busca do canto
Que só uma deusa tão bela
Poderia causar como espanto
Numa plateia só para ela
Conforme descrevia
Ao mocho que a ouvia
Com a possível atenção
Dando-lhe como informação
Que a saída
Ou entrada para nova vida
Seria lá adiante
Para onde apontava
Com o nariz confiante
De dar boa-nova que a alegrava
Sem dúvida a pairar em mocho
De tanto sono, bem roxo.

(de "IV")

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