Ao ligar a televisão
A infeliz programação
É sempre igual
E completamente banal.
Tanta hora de repetição
E atrasos sem explicação.
A espectadora de ocasião
É bastante exigente
Mais ainda, quando é disponibilizado
Todo aquele conteúdo, como uma extensão
Do serviço público acordado
Em termos políticos, no recente
Programa de governo aprovado
No seu local apropriado.
Muita contra-programação
Para fazer sua concorrência
Aos canais privados.
Estes têm outra concepção
Talvez com pouca coerência.
Não adianta enviar recados
Com protestos irados
Pois serão todos apagados
Não estando eles preocupados
Com sua própria assistência.
A espectadora não aguenta mais
E resolve usar de iniciativa
Que não pode ser mais activa:
Parte o televisor à primeira tentativa
E salta lá para dentro
Ficando mesmo no centro
Do programa a decorrer.
Fica tudo sem perceber
O que está ela a fazer.
Não havia editais
Que anunciassem uma aparição
Com total surpresa
A meio do espectáculo
Que já tinha seu guião
E não soube fazer alteração
Nem explicar com clareza
A seus espectadores
E figurantes de ocupação
Como vai contornar o obstáculo
Sem chamar os censores.
Um deles já chegou
Mas agora é tarde
E a espectadora nem foi cobarde
Quando dali saiu
Apenas continuou sua missão
Conforme tinha planeado.
(de "Espectadora exigente")
Sem comentários:
Enviar um comentário