Quando chega ao paraíso
Seu Anfitrião é preciso
Nas palavras usadas:
«Pretenderá o chegado visitante
Ir até ao reino das fadas
Ou ficar sitiante
Um pouco mais adiante
Por haver sido pecador
Sem qualquer pudor
Durante sua vida terrestre
Em local com gravura rupestre?»
Pergunta o denominado Mestre.
O visitante dá sua garantia
De que jamais pecou
Em qualquer dia
Na vida que durou
Mais do que ele esperava.
Agora, só aguardava
Pela sua futura localização
No reino celestial
Presentemente à disposição
Do Mestre especial
Que tomará sua decisão
Com toda a razão
E sem qualquer discussão
Da parte de quem cumpriu
Todos os mandamentos
Pois nunca os fingiu
Em seus diários andamentos.
O Mestre vai conferir
Se tal é mesmo verdade
Através da ficha retirada
Com todas as ocorrência
Em qualquer idade
Durante o seu existir
Na vida passada
Lá em baixo, com incidências
Por todos os lados
Que são considerados
Na final avaliação
Que já está na mão
Do Mestre, como um relatório
Que transmitirá o reportório
Da alma à sua frente
Quando estava em mundo diferente
Do que se encontra aqui assente
E será obrigatório
Para verificar se é meritório
Entregar-lhe o bilhete de acesso
Ao reino das fadas, num ingresso
Por muitos, tão desejado
Mas, para outros, bem vedado
Por antes haverem pecado.
(de "O bilhete")
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