segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mulheres III

Mulher observadora
Com ar de apreciadora
Daquilo que não possui
Mas que já anui
Em ter no seu desejo
Com imaginário beijo
Para selar tal posse
Antes que alguém a coce
Acordando-a sem licença
Do sonho com pertença
Que é a sua essência
De mulher em incidência
Cobiçando o que não tem
Mas que já é seu bem
Bastando-lhe olhar de fora
Para compensar a interior hora
Que sempre se acende
Pelo tempo que lhe estende
Com nada para seu desfrute
Nem prazer que a ausculte
Nas agradáveis pulsações
Cheias de belas emoções.
Por isso só lhe resta
Continuar em cobiça
Para que prossiga a festa
Onde ela se eriça
Como mulher dominadora
Frequentemente controladora
E com visão tentadora
Que não a desmotiva
A ir-se embora
Rumo a uma posição passiva
Onde não seria miradora
Da sua actual perspectiva
Que tanto se satisfaz
Com os olhos, para ser capaz
De dar firme recusa
Ao que lá dentro usa
Porque sua vontade
Apenas se acusa
Pela atraente raridade
Que do exterior se apresenta
Como a necessária novidade

(de "Mulher cobiçando")

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