segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Sino

O sino começa a tocar
Talvez para anunciar
Algum falecimento
Que venha a ter seu evento
Em forma de funeral
Ali, naquele local
Uma remota aldeia
Onde muita gente se passeia
Possivelmente por ser feriado
Ou algum domingo antecipado
De ponte vestido
Por cada trabalhador recebido
Como justa compensação
Da sua diária aplicação
Na função que desempenha
À espera que venha
Seu ordenado
Sempre tão desejado
Mesmo que haja ponte nacional
A ser aplicada no local
A terra citada
Difícil de ser encontrada
Por estar escondida
Na rota percorrida
Por quem vai de viagem
Preferencialmente sem paragem
Só querendo auto-estrada
Para andar acelerada
Em extensível velocidade
De pouca responsabilidade
Não fazendo trajecto
Que permita um correcto
Conhecer do país rural
Que é tão essencial
Para o desenvolvimento
Mediante o envolvimento
Da local população
Em benefício da nação.
O sino ainda dá sinal
Com seu toque infernal
Parecendo o fim do mundo
Sem haver fundo
De alguma esperança
Numa salvação, com confiança
De ser bem sucedida
Pelo destino, cedida
A seus habitantes
Por ali constantes
Na pessimista
Perspectiva que avista
Uma senhora de idade
De nobre identidade
Na aldeia conhecida
Por sua longa vida
Sempre passada
Sem alguma maçada
Na sua terra de afeição
Onde tudo lhe saiu de feição
Com sua ajuda
A quem não estuda
Nem agora
Nem no tempo que foi embora.
Esta senhora foi a primeira
A chegar à beira
Da igreja
Onde ninguém festeja
Por se pensar
Que existe morte a pairar
Até aqui anunciada
Pela sonoridade elevada
Do sino a ser tocado
Durante um bom bocado
Mas que agora parou
Talvez porque já chamou
Demasiada gente
A estar bem presente
Para aquilatar a razão
Da sua não contenção
Do sino a alertar
Para aquele juntar
De pessoas com curiosidade
Na procura da verdade
Sobre o motivo
Provavelmente negativo
De toque agitado
Em lugar recatado
Mas onde há mortalidade.
E é esta eventualidade
Que é esperada
Por quem está plantada
À espera de novidade
Que tenha sua brevidade
Quanto antes
Em poucos instantes
Ou que, de imediato
Seja um facto
De todos conhecido
Mesmo por algum esquecido
Que não se recorde
No momento em que acorde
Do que ocorreu
No dia que morreu
Naturalmente, o anterior
Finalizado pelo prior
Em missa celebrada
Na noite encerrada
Com pequena ceia
Na católica aldeia.
Parece que não há vivalma
Com existente alma
Dentro da igreja imponente
Virada a poente
Conforme é constatado
Pelo povo representado
Por dois aldeões
Que foram em funções
De investigação
Até ao sino, sem condução
Quando esteve em badalada
Sem hora acertada

(de "O sino")

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