segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fantasias

A menina saiu da janela
E arrumou a vela
Que já estava apagada
Colocando-se deitada
Num ápice quase despercebido
Pelo espelho surpreendido
Que rapidamente a chamou
Situação que ela não concordou
Por querer dormir.
Mas houve forte insistir
Do espelho em sentinela
Que pretendia o fecho da janela.
Ela levantou-se
Mas a janela fechou-se
Com a ajuda do vento
Que actuou a contento
Do espelho em alerta
Para dar à menina uma certa
Imagem dele próprio
Já sem o nocturno frio
Que ainda há pouco
O deixava quase rouco
De tosse em pressão
Sobre a sua garganta
Que já não canta
Nem sequer em ilusão
Que ele possa ter
Com a música de seu querer.
Mas quando a menina
Regressa da cortina
Que fez correr
E passa seu ser
Em frente ao espelho
Não se vê a ela
Mas sim um velho
Que está à janela.
Pergunta ao objecto
Que espelho tem tal trajecto
De fantasia chegada
A lhe ser espelhada.
Ele apenas responde
Que nada sabe
Mas o velho esconde
Sua figura antes que acabe
Por ser descoberto.

(de "A outra dimensão do espelho")

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