segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Esquilo-branco

O esquilo está a dar brilho
À sua branca pelugem
Quando chega a carruagem
Que lhe traz milho.
Este é descarregado
Para o espaço anexado
Que serve de armazém
Recheado de tanto bem
Para o necessário sustento
Do esquilo sempre atento
Às melhores especiarias
Que guarda das noites frias
Em acondicionado compartimento
Também protegido do vento
Na sua propriedade
Que permite um viver de qualidade.
Quando chega a hora da retirada
Da carruagem esvaziada
O esquilo vai conferir novamente
Sua encomenda agora assente
Em excelentes condições
Para suculentas refeições.
Encontra-se já no meio
Do milho bem no centro
De armazém tão cheio
Quando sente lá dentro
No anexo em questão
Um vulto com invasão
Que não deveria
Ser permitida
Porque a armazenagem estaria
Devidamente protegida.
Tal não é o caso
E o único recurso
É um pequeno vaso
Que o esquilo lança
Com reprovador discurso
Na direcção de quem avança
E por isso mesmo é acertado
Com maior pontaria
Ficando em real dança
Quase numa visível inconsciência
Que ainda é reforçada
Quando alguma da encomenda
De milho é entornada
Talvez como ajustada prenda
Para ele perder os sentidos
Debaixo de sacos estendidos
Com milho em peso
A colocá-lo como preso
Sob o olhar deliciado
Do esquilo em apetite
Pelo milho a ser provado
E sem que evite
Um sorriso bem largo
Pelo destino amargo
Do caçador sem petiscar
Imenso milho a poisar
Em cima do inconsciente
A não ter como presente
Que na mesa do herói
Tanto milho o esquilo rói.

(de "Milho")

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